
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) aprovou oficialmente o reconhecimento do selo SIPAM, para o cultivo de erva-mate agroflorestal tradicional na Floresta de Araucária do Paraná, Brasil.
Esse reconhecimento é histórico e uma grande conquista para a agricultura familiar, considerando que as tratativas com a FAO iniciaram há cinco anos. A FETRAF PR compõem essa articulação, juntamente com os agricultores tradicionais e agroecológicos, comunidades indigenas e faxinalenses, pesquisadores, sindicatos da agricultura familiar, universidades, organizações da sociedade civil e gestores públicos. A candidatura foi feita por meio do Observatório dos Sistemas Tradicionais e Agroecológicos de Erva-Mate e coordenada pelo CEDErva, com apoio de 30 instituições.
O sistema agroflorestal tradicional de erva-mate representa um modelo globalmente significativo de manejo florestal sustentável e continuidade cultural. Enraizado no conhecimento dos povos indígenas e praticado há mais de cinco séculos, contribui para a conservação da biodiversidade, a regulação do clima e a restauração de ecossistemas nativos na Mata Atlântica — um dos hotspots de biodiversidade mais ameaçados do planeta. Em uma região fortemente impactada pelo desmatamento, onde resta apenas 1% da Floresta com Araucária original, este sistema oferece um raro exemplo de práticas agrícolas que preservam a cobertura florestal e, ao mesmo tempo, apoiam os meios de subsistência e o patrimônio cultural. Ele está alinhado aos ODS e aos compromissos globais com a restauração de ecossistemas e a resiliência climática.
Segurança Alimentar e de Subsistência: O sistema de erva-mate é um pilar fundamental da segurança alimentar e da renda para comunidades rurais e dependentes da floresta. As famílias cultivam não apenas erva-mate, mas também milho, feijão, mandioca, hortaliças e frutas nativas, garantindo a disponibilidade sazonal de alimentos e a diversidade alimentar. A pecuária e as hortas agroecológicas complementam a nutrição familiar.
Fonte e fotos: FAO